Batismo dos níveis de ensino

É  importante esclarecer algumas dúvidas de vocabulário, comuns para quem procura cursos de jornalismo no continente, onde as denominações dos níveis de ensino são diferentes do Brasil.

“Bachillerato”, por exemplo, designa um nível intermediário entre a educação secundária (o nosso Ensino Médio) e o Ensino Superior. Seu objetivo é preparar o aluno para a faculdade. Não é obrigatório, mas em alguns países sem ele fica difícil conseguir um emprego bem remunerado. Quem conclui o bachillerato faz um exame seletivo composto por provas escritas antes de entrar na universidade.

Em alguns países, por outro lado, “bachillerato” designa o curso de graduação, chamado de “grado” ou “pregrado” em muitas regiões da América Latina.

Quem estuda jornalismo na faculdade se torna, na maioria dos casos, um Licenciado em Jornalismo ou em Ciências da Comunicação. Isso não quer dizer que quem faz licenciatura se forma como professor, embora muitos cursos de comunicação social ofereçam como habilitação “Comunicação e Educação Comunitária”, além de Publicidade, Relações Públicas e Jornalismo . Licenciatura é um tipo de graduação ligada a uma área do saber. Neste caso, Ciências da Comunicação.

Escuela de periodismo…no Camboja

O mundo mágico do Google exige uma coisa de você: Digite o termo que procura e aguarde. E se às vezes ele lança um educado “você quis dizer…” justamente porque a pesquisa não foi precisa e trouxe resultados um tanto quanto absurdos, às vezes ele acerta sem querer.

E pesquisando os cursos de jornalismo na Colômbia eu encontrei esta boa notícia:

¨Colombiano creó escuela de periodismo en Camboya para ayudar a pobres¨

Para quem não sabe, o Camboja é um país com restrições à liberdade de imprensa. E o colombiano Albeiro Rodas resolveu ajudar jovens pobres a ingressar no mercado de trabalho através da comunicação.

Mais informações:

http://www.eltiempo.com/mundo/asia/ARTICULO-WEB-NEW_NOTA_INTERIOR-8416741.html

 

Instituto Prensa y Sociedad

Quando definimos as pautas, nossa primeira ideia foi dividir os países entre os alunos responsáveis pela América Latina: eu, Denise Eloy e Kim Abe.

Acabamos mudando de ideia porque, afinal, mais importante que pensar nos países é pensar nos temas e onde eles são mais frequentes. Pois a grande surpresa desta apuração vem sendo o Peru. Já mencionei aqui minha conversa com o “periodista” Sandro Mairata. Descobri hoje que eles têm também um site bem bacana de uma instituição bastante atuante: o Instituto Prensa y Sociedad.

Vale a pena conferir: http://www.ipys.org/

Ser jornalista no Peru

Este é um trecho da conversa que tive com o jornalista peruano Sandro Mairata.  Ele conta brevemente que, assim como no Brasil, quem se forma em Jornalismo ganha mal e, como o diploma lá não é obrigatório, as vagas são ocupadas por formados em outras áreas:

Em su país, como se forman los periodistas? Ellos estudian en la Universidad? Las empresas periodisticas piden a sus empleados que tengan algun diploma? cuál?
En Perú hay mucha informalidad, y para ejercer periodismo puedes hacerlo de dos formas: por estudios o por talento. La mayoría estudia periodismo pero los periodistas más influyentes son literatos, abogados, sociólogos, y poco a poco cayeron en el periodismo. Para ser contratado de manera formal, por lo general sí te piden un título universitario en Comunicaciones.

Em su país, como es el mercado de trabajo para los periodistas?
Muy malo y muy mal pagado, ya que los principales medios se concentran en la capital y por eso hay exceso de oferta y muy poca demanda. Eso hace que los salarios sean bajos y se trabaje demasiado. Es una situación bien injusta.

E como ficam os gigantes da mídia?

Neste capítulo, os autores mostram como as grandes organizações de mídia tentam se adaptar às mudanças que surgiram com a internet.  Com exemplos, relatam os desafios que as empresas que cresceram na era da TV, acostumadas a ditar as regras e em uma comunicação a princípio unilateral, encontram para conquistar público, garantir sua credibilidade e ainda por cima ganhar dinheiro.

Bem, pra começar o internauta não é o espectador. Ele interage, produz informação, opina, não se adequa em um único perfil, isto é, pode se interessar por várias coisas e fazer parte de diversos subgrupos e, muito importante, é avesso a pagar pelo que consome.  Como se todos tivessem assinado um tratado tácito, está implícito que quanto mais gratuito melhor. E que, na internet, pirataria não é crime. É uma maneira consensualmente legítima de exercer o direito de consumir cultura e informação.

No Jornalismo, que definitivamente nunca está em paz, as inovações aparecem o tempo todo.  E as empresas jornalísticas tentam novas plataformas para divulgarem suas produções e ainda engatinham neste novo universo. As webtvs e as produções em vídeo acenaram como uma alternativa que não foi muito longe. Produzir vídeos é caro e o retorno financeiro é baixo, já que o número de “views” não é atraente o suficiente para o mercado publicitário.

Os tablets e smartphones são novos canais de comunicação, cujo conteúdo – não necessariamente o aparelho –  é relativamente barato para o leitor, mas que sai caro para as empresas. É preciso pagar bem aos profissionais capazes de lidar com esta tecnologia. No Brasil a revista Época, a segunda maior semanal do país, tem uma equipe de cerca de vinte designers. Apenas dois deles têm o know-how para produzir conteúdo para Ipad. E, ainda assim, é consenso entre os profissionais da área que não se trata de copiar a informação do jornal ou do site e passar para a nova plataforma. É necessário criar uma outra maneira de escrever e mostrar as notícias, particular dos tablets. E, como alerta o artigo, tudo isso em um espaço considerado pobre pelos anunciantes por seu tamanho e pelo público restrito que, por enquanto, tem estes aparelhos.

Esta visão das plataformas como coisas separadas, mostrando que as organizações de jornalismo on-line precisam distribuir notícias de maneiras diferentes é, para o autor, o período da  “divergência”. Como uma fase mais madura do período da “convergência”, quando todos os indicadores apontavam para os sites.

A novidade é que há sempre uma novidade                 

Com a web, tudo muda rápido, inclusive as referências. O leitor quer experimentar e espera ver novidades que o agradem nas diferentes plataformas que se renovam periodicamente. Um exemplo interessante que aparece no estudo é Michael Harwayne,  executivo da Time Inc . que alterna entre smartphone, Kindle e modelos de tablet mas que, no fundo, não abandona a leitura do jornal em papel. Curiosamente, o jornal tradicional mantêm sua identidade. Sabemos quem ele é e o quão confiável ele é. O que, infelizmente, não é suficiente para manter os lucros, nem salvaguardar empregos.

A aposta mais otimista está no conteúdo multiplataforma, uma maneira de estar presente o máximo possível e não ser esquecido nem largado nas bancas de jornais. Em março de 2011, a Dow Jones anunciou que tinha 200 mil assinantes pagando pelo Wall Street Journal em algum tipo de dispositivo móvel. A Time Inc. anunciou que vai liberar as revistas Time, Fortune, People e Sports Illustrated em várias plataformas, promovendo um pacote de assinaturas conjunto.

A CNN fez algo interessante. Apostou na marca e em uma plataforma de publicação centralizada. A empresa acredita que os meios digitais são uma porta de entrada para o que  tem a oferecer em outros meios, inclusive a tradicional TV.Mas o aparente case de sucesso da marca americana não é uma receita que todo mundo possa seguir.

Estas empresas não querem apenas sobreviver, elas querem continuar grandes, enormes. E, talvez, a internet tenha revelado que as pessoas se interessam por mais de um ponto de vista, que gostam de desafiar a autoridade de um jornal sisudo, de rir do politicamente correto e de evidenciar que conhecem aquele jogo de aparências. A internet mostrou que o público simplesmente gosta de participar, de que tentem agradá-lo e facilitar sua vida. As pessoas não querem consumir qualquer informação.

É mais fácil ser um conglomerado de mídia lucrando milhões quando o público é uma massa que liga e desliga a TV. Talvez ser pequeno, com produções mais específicas, voltadas a um número menor de pessoas e com mais facilidade de adaptação, seja mais lucrativo ou signifique menos sacríficios para sobreviver sem vislumbrar um futuro cheio de pontos de interrogação.

Neste capítulo, os autores mostram como as grandes organizações de mídia tentam se adaptar às mudanças que surgiram com a internet.  Com exemplos, relatam os desafios que as empresas que cresceram na era da TV, acostumadas a ditar as regras e em uma comunicação a princípio unilateral, encontram para conquistar público, garantir sua credibilidade e ainda por cima ganhar dinheiro.

Bem, pra começar o internauta não é o espectador. Ele interage, produz informação, opina, não se adequa em um único perfil, isto é, pode se interessar por várias coisas e fazer parte de diversos subgrupos e, muito importante, é avesso a pagar pelo que consome.  Como se todos tivessem assinado um tratado tácito, está implícito que quanto mais gratuito melhor. E que, na internet, pirataria não é crime. É uma maneira consensualmente legítima de exercer o direito de consumir cultura e informação.

No Jornalismo, que definitivamente nunca está em paz, as inovações aparecem o tempo todo.  E as empresas jornalísticas tentam novas plataformas para divulgarem suas produções e ainda engatinham neste novo universo. As webtvs e as produções em vídeo acenaram como uma alternativa que não foi muito longe. Produzir vídeos é caro e o retorno financeiro é baixo, já que o número de “views” não é atraente o suficiente para o mercado publicitário.

Os tablets e smartphones são novos canais de comunicação, cujo conteúdo – não necessariamente o aparelho –  é relativamente barato para o leitor, mas que sai caro para as empresas. É preciso pagar bem aos profissionais capazes de lidar com esta tecnologia. No Brasil a revista Época, a segunda maior semanal do país, tem uma equipe de cerca de vinte designers. Apenas dois deles têm o know-how para produzir conteúdo para Ipad. E, ainda assim, é consenso entre os profissionais da área que não se trata de copiar a informação do jornal ou do site e passar para a nova plataforma. É necessário criar uma outra maneira de escrever e mostrar as notícias, particular dos tablets. E, como alerta o artigo, tudo isso em um espaço considerado pobre pelos anunciantes por seu tamanho e pelo público restrito que, por enquanto, tem estes aparelhos.

Esta visão das plataformas como coisas separadas, mostrando que as organizações de jornalismo on-line precisam distribuir notícias de maneiras diferentes é, para o autor, o período da  “divergência”. Como uma fase mais madura do período da “convergência”, quando todos os indicadores apontavam para os sites.

A novidade é que há sempre uma novidade                 

Com a web, tudo muda rápido, inclusive as referências. O leitor quer experimentar e espera ver novidades que o agradem nas diferentes plataformas que se renovam periodicamente. Um exemplo interessante que aparece no estudo é Michael Harwayne,  executivo da Time Inc . que alterna entre smartphone, Kindle e modelos de tablet mas que, no fundo, não abandona a leitura do jornal em papel. Curiosamente, o jornal tradicional mantêm sua identidade. Sabemos quem ele é e o quão confiável ele é. O que, infelizmente, não é suficiente para manter os lucros, nem salvaguardar empregos.

A aposta mais otimista está no conteúdo multiplataforma, uma maneira de estar presente o máximo possível e não ser esquecido nem largado nas bancas de jornais. Em março de 2011, a Dow Jones anunciou que tinha 200 mil assinantes pagando pelo Wall Street Journal em algum tipo de dispositivo móvel. A Time Inc. anunciou que vai liberar as revistas Time, Fortune, People e Sports Illustrated em várias plataformas, promovendo um pacote de assinaturas conjunto.

A CNN fez algo interessante. Apostou na marca e em uma plataforma de publicação centralizada. A empresa acredita que os meios digitais são uma porta de entrada para o que  tem a oferecer em outros meios, inclusive a tradicional TV.Mas o aparente case de sucesso da marca americana não é uma receita que todo mundo possa seguir.

Estas empresas não querem apenas sobreviver, elas querem continuar grandes, enormes. E, talvez, a internet tenha revelado que as pessoas se interessam por mais de um ponto de vista, que gostam de desafiar a autoridade de um jornal sisudo, de rir do politicamente correto e de evidenciar que conhecem aquele jogo de aparências. A internet mostrou que o público simplesmente gosta de participar, de que tentem agradá-lo e facilitar sua vida. As pessoas não querem consumir qualquer informação.

É mais fácil ser um conglomerado de mídia lucrando milhões quando o público é uma massa que liga e desliga a TV. Talvez ser pequeno, com produções mais específicas, voltadas a um número menor de pessoas e com mais facilidade de adaptação, seja mais lucrativo ou signifique menos sacríficios para sobreviver sem vislumbrar um futuro cheio de pontos de interrogação.

(resenha do cap. 4 do texto The Story So Far)

¡Hola!

Este blog faz parte de um portal produzido pelos alunos da disciplina Jornalismo Online, ministrada pelo professor Eugênio Bucci na Escola de Comunicações e Artes (ECA) da USP.

Seu objetivo é esclarecer – ou tentar esclarecer – algumas dúvidas sobre como funciona o  jornalismo em alguns dos nossos vizinhos do cone sul: Chile, Uruguai e Paraguai.

Como é o currículo nas faculdades destes países? Lá o diploma é um pré-requisito ou é uma questão delicada e nebulosa como no Brasil? Quais os debates mais recentes sobre a atividade? Nestes lugares, os problemas e dificuldades são outros ou as questões e críticas ao jornalismo se repetem?

Estes e outros temas estarão aqui em breve!